Maria Lulú Azul

Maria Lulú Azul
para lá do infinito nito ito to o o

sexta-feira, 23 de setembro de 2011

"Vem. Conversemos através da alma. Revelemos o que é secreto aos olhos e ouvidos. Sem exibir os dentes, sorri comigo, como um botão de rosa" .
Rumi

quinta-feira, 22 de setembro de 2011

pode ser

metrópolis pode ser mar
metro é tatu
a pressa pode ser andante
buzina é galo de madrugada
farol serve para amar
vizinho para salvar
asfalto pode ser mato
predio montanha e casa morro.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

sopro do vento

Os ângulos dessa janela
parecem deslocados
a grade me
prende nela
sentidos alterados
enquanto a vista pro lado
fica restrito um quadrado
medidas equacionadas
sentido inabalável
....sopro do vento que alcança
e a cortina dança
....

quarta-feira, 20 de abril de 2011

Sobre o Clown*

“O clown encarna os traços da criatura fantástica, que exprime o lado irracional do homem, a parte do instinto, o rebelde a contestar a ordem superior que há em cada um de nós.É uma caricatura do homem como animal e criança, como enganado e enganador. É um espelho em que o homem se reflete de maneira grotesca, deformada, e vê a sua imagem torpe. É a sombra.O clown sempre existirá. Pois está fora de cogitação indagar se a sombra morreu, se a sombra morre.Para que ela morra, o sol tem de estar a pique sobre a cabeça. A sombra desaparece e o homem, inteiramente iluminado, perde seus lados caricaturescos, grotescos, disformes. Diante duma criatura tão realizada, o clown, entendido no aspecto disforme, perderia a razão de existir. O clown, é evidente, não teria sumido, apenas seria assimilado. Noutras palavras, o irracional, o infantil, o instintivo já não seriam vistos com o olhar deformador que os torna disformes.Por acaso São Francisco não definiu a si mesmo como jogral de Deus?Lao Tsé afirmava: Quando produzas um pensamento, te ri dele.”

*Este texto é um excerto do comentário que fez Fellini a seu filme I Clowns, feito para a televisão em 1970. In ""Fellini por Fellini", L&PM Editores Ltda., Porto Alegre, 1974, págs. 1-7. Tradução de Paulo Hecker Filho.

“O clown encarna os traços da criatura fantástica, que exprime o lado irracional do homem, a parte do instinto, o rebelde a contestar a ordem superior que há em cada um de nós.É uma caricatura do homem como animal e criança, como enganado e enganador. É um espelho em que o homem se reflete de maneira grotesca, deformada, e vê a sua imagem torpe. É a sombra.O clown sempre existirá. Pois está fora de cogitação indagar se a sombra morreu, se a sombra morre.Para que ela morra, o sol tem de estar a pique sobre a cabeça. A sombra desaparece e o homem, inteiramente iluminado, perde seus lados caricaturescos, grotescos, disformes. Diante duma criatura tão realizada, o clown, entendido no aspecto disforme, perderia a razão de existir. O clown, é evidente, não teria sumido, apenas seria assimilado. Noutras palavras, o irracional, o infantil, o instintivo já não seriam vistos com o olhar deformador que os torna disformes.Por acaso São Francisco não definiu a si mesmo como jogral de Deus?Lao Tsé afirmava: Quando produzas um pensamento, te ri dele.”

Federico Fellini


*Este texto é um excerto do comentário que fez Fellini a seu filme I Clowns, feito para a televisão em 1970. In ""Fellini por Fellini", L&PM Editores Ltda., Porto Alegre, 1974, págs. 1-7. Tradução de Paulo Hecker Filho.
"Perdido seja para nós aquele dia em que não se dançou nem uma vez! E falsa seja para nós toda a verdade que não tenha sido acompanhada por uma gargalhada!'
Friedrich Nietzsche